OMS lança guia contra obesidade infantil com foco em saúde mental e medidas não invasivas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou o primeiro guia para enfrentar a obesidade em crianças e adolescentes. De acordo com a OMS, desde 1990, a prevalência de obesidade nessa faixa etária quadruplicou, passando de 2% a 8% em 2023. Em 2024, o número de crianças e adolescentes obesos chegou a 170 milhões, sendo 70 milhões crianças entre 5 e 9 anos e 100 milhões adolescentes entre 10 e 19 anos.
O guia enfatiza a importância de intervenções estruturadas que combinem dieta, atividade física e mudanças comportamentais. Segundo a OMS, os profissionais de saúde devem abordar conjuntamente a obesidade e a saúde mental, que são aspectos interligados.
Para crianças de até 9 anos, a OMS é contra o uso de tratamento farmacológico ou cirurgia bariátrica. Já para adolescentes entre 10 e 19 anos, medicamentos podem ser considerados apenas após tentativas de tratamentos multimodais, enquanto a cirurgia é uma opção para casos de obesidade grave, sob condições rigorosas.
As diretrizes recomendam políticas que facilitem o acesso a dietas saudáveis e atividades físicas. Além disso, o guia reconhece o impacto negativo do estigma e do bullying sobre as crianças obesas, destacando a importância de uma abordagem sensível que promova mudanças positivas nos hábitos desde cedo.
No contexto brasileiro, segundo o Atlas Mundial da Obesidade, cerca de 16,5 milhões de crianças e adolescentes sofrem com sobrepeso ou obesidade. A endocrinologista Fernanda Lopes ressalta a importância de mudanças simples nos hábitos dos brasileiros para enfrentar o quadro.
A OMS defende que, além das intervenções de saúde digital, que devem ocorrer sob supervisão dos pais, políticas públicas eficazes são essenciais para reverter o crescente cenário de obesidade infantil globalmente.